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Nas últimas eleições em São Paulo, os seis candidatos mais votados para deputado federal e estadual, que somam mais de 18 milhões de seguidores no Instagram, adotaram diferentes estratégias em suas campanhas eleitorais ao equilibrar investimentos na internet e em materiais físicos, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os liberais Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano priorizaram a arena digital. Pavanato, o campeão de votos com mais de 3 milhões de sufrágios, investiu metade de seu orçamento de R$ 2,7 milhões em impulsionamento e redes. Campopiano, por sua vez, direcionou 61,1% de suas despesas de R$ 654 mil para o ambiente virtual, consolidando uma parceria estratégica de sucesso entre ambos.
Em contrapartida, Erika Hilton e Sâmia Bomfim, ambas do PSOL, focaram recursos em mobilização tradicional. Mesmo com 5,3 milhões de seguidores, Hilton destinou apenas 11,5% de sua verba ao digital, focando 27,8% em material gráfico. Bomfim seguiu linha semelhante, aplicando 39% de seus gastos em panfletos e apenas 20% em plataformas online.
A força do capital político digital
Para a cientista política Tathiana Chicarino, da FESP-SP, o volume de seguidores funciona como um ativo político digital, mas não garante votos diretamente. Segundo a especialista, o fenômeno reflete a digitalização da vida cotidiana, acelerada pela pandemia. O diferencial real reside na capacidade de engajamento e na circulação orgânica dos conteúdos gerados pelas candidaturas.
Paulo Faltay, pesquisador da UFPE, ressalta que as plataformas moldam a visibilidade por meio de seus algoritmos. Ele destaca que comunidades engajadas atuam como distribuidoras ativas de mensagens, e não apenas receptoras. Além disso, o poder econômico define quem consegue se adaptar melhor às métricas e impulsionar conteúdos de forma personalizada.
Desempenho de Kataguiri e Suplicy
O levantamento também mostra que o dinheiro não é o único fator de sucesso. Kim Kataguiri gastou R$ 469 mil, dividindo as despesas igualmente entre o digital e o físico. Já o veterano Eduardo Suplicy, de 85 anos, obteve expressivos 654 mil votos gastando apenas R$ 97,8 mil no total, com cerca de 31% destinados às redes sociais.
Raio-X dos gastos dos candidatos em SP
Lucas Pavanato (PL) obteve 3.038.438 votos, gastando R$ 1,35 milhão em redes sociais. Erika Hilton (PSOL) somou 1.596.383 votos, com R$ 188 mil investidos no digital. Já Sâmia Bomfim (PSOL) conquistou 583.107 votos, aplicando R$ 400 mil em plataformas online, enquanto Kim Kataguiri (Missão) alcançou 520.071 votos, destinando R$ 118 mil ao ambiente virtual.
Na disputa para a Alesp, Eduarda Campopiano (PL) registrou 1.956.238 votos, aplicando R$ 400 mil em comunicação digital. Por fim, Eduardo Suplicy (PT) garantiu sua vaga com 654.627 votos, tendo despendido apenas R$ 30 mil em impulsionamento na internet.
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