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Uma investigação da Polícia Federal e do Ministério Público revelou que policiais do Rio e ex-PMs integravam uma quadrilha que vendia fuzis para o traficante Peixão, no Complexo de Israel. Além do comércio de armamento pesado, o grupo cobrava para realizar investigações clandestinas e repassava informações sigilosas para beneficiar criminosos, gerando lucros ilícitos e forte infiltração nas instituições estaduais.
De acordo com o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf), os sete denunciados já se tornaram réus. O esquema contava com a participação de agentes da ativa e ex-policiais militares. Surpreendentemente, mesmo após serem expulsos da corporação por crimes graves, alguns investigados conseguiram cargos de confiança na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e no Detran.
Investigações paralelas e vazamento de dados
Mensagens obtidas pela promotoria apontam que o ex-PM Vitor Hugo Marinho Garcia, o "Batata", apontado como líder, combinava serviços clandestinos com o policial civil Carlos Barnabé Souza. Em uma das conversas, eles planejavam cobrar por uma apuração particular para um empresário que sofreu tentativa de sequestro. Barnabé, que está foragido, é acusado de usar a estrutura da Polícia Civil para favorecer a quadrilha.
O grupo também tentou obter imagens de câmeras de segurança do Estado para ajudar o miliciano Gilson Ingrácio de Souza Júnior, o "Juninho Varão". O objetivo era forjar um álibi para livrá-lo de uma acusação de homicídio. A manobra evidencia como a organização criminosa utilizava seus contatos internos na Secretaria de Segurança para obstruir a Justiça e proteger aliados.
Cargos públicos e movimentação milionária
A investigação detalha que o ex-PM Eduardo Thales Lopes Pires, expulso da PM, foi nomeado para um cargo comissionado na Alerj. Já Vitor Hugo, preso com um fuzil e R$ 67 mil em dinheiro, atuou na presidência do Detran até maio. Outro réu, Marcel Rodrigues Fernandes, que movimentou R$ 33 milhões em cinco anos, ocupou cargos em ambos os órgãos estaduais.
Ao todo, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 250 milhões e a apreensão de 30 veículos. Em resposta, as corregedorias das polícias Civil e Militar informaram que abriram procedimentos administrativos para apurar os desvios de conduta. O Detran confirmou a exoneração dos envolvidos, enquanto a Alerj declarou que não comenta investigações sem relação direta com o Parlamento.
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