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A violência política no Brasil tem afetado de forma desproporcional as mulheres durante o período de campanha eleitoral. A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) denunciou recentemente ameaças de morte e violência sexual, ilustrando um cenário preocupante para o país.

Dados divulgados pelas entidades Terra de Direitos e Justiça Global revelam 134 episódios de hostilidade até o primeiro turno das eleições. Isso representa uma ocorrência a cada nove horas, sendo que 70 casos tiveram mulheres como principais alvos.

Entre 102 episódios focados em candidatos, 60 atingiram mulheres, totalizando 58,8%. O dado chama atenção pois o grupo representa cerca de um terço das candidaturas totais.

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Impacto na democracia

Gisele Barbieri, da Terra de Direitos, aponta que essa dinâmica desqualifica e intimida candidatas. O ambiente digital concentra agressões sistemáticas, embora a maioria dos registros tenha ocorrido nas ruas, somando 71 ocorrências.

A pesquisadora defende uma força-tarefa estatal para respostas rápidas. O levantamento mapeou 50 dias de campanha até o primeiro turno, superando os 121 registros contabilizados no mesmo período em 2022.

Tipos de agressão e subnotificação

A ameaça foi a forma mais recorrente, com 64 casos, seguida por 33 ofensas e 19 agressões físicas. Houve ainda 11 atentados e dois assassinatos de agentes municipais.

A subnotificação permanece como um desafio central. Muitas vítimas evitam denúncias por medo ou falta de respaldo institucional, ocultando a real dimensão do problema.

Fatores de opressão

Dos 70 episódios contra mulheres, 45 envolveram machismo ou misoginia. O racismo esteve presente em nove casos e a transfobia em cinco, evidenciando marcadores sociais de desigualdade.

Pessoas negras representaram 44,8% das vítimas totais. Até o fim da coleta, nenhum agressor havia sido punido judicialmente, embora medidas cautelares tenham sido aplicadas.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Cláudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil