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A crise na ONU se agravou no último ano devido à falta de repasses vitais de países-membros como os Estados Unidos, forçando a organização a demitir mais de 10 mil funcionários e colocar em risco operações cruciais de assistência humanitária no Brasil e no mundo.

A redução severa nos recursos atingiu 21 das 41 agências do sistema multilateral. Entidades fundamentais para a proteção social, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o Unicef e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), foram as mais prejudicadas pelos cortes estruturais.

O impacto humano dos cortes no ACNUR

Historicamente, o suporte internacional garantiu a reconstrução de vidas, como a de Delmany Rodrigues. Ele chegou ao Rio de Janeiro em 1994, fugindo da guerra civil em Angola com a família. Por meio da assistência do ACNUR e da Cáritas, recebeu moradia, alimentos, medicamentos pelo SUS e bolsas de estudo.

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Hoje, aos 40 anos, Delmany é fisioterapeuta e empresário. No entanto, histórias de superação como a dele estão ameaçadas. Em 2025, o ACNUR arrecadou menos de 40% dos US$ 10,6 bilhões necessários para atender quase 130 milhões de pessoas globalmente.

Como consequência do déficit financeiro, a agência reduziu um terço de sua força de trabalho, encerrou operações em 15 países e fechou 140 escritórios. Estima-se que mais de 8 milhões de refugiados fiquem sem atendimento básico neste ano.

Tensão política e retenção de verbas pelos EUA

A escassez de receita é intensificada pela inadimplência de contribuições obrigatórias. Os Estados Unidos, maior doador do orçamento regular, acumulavam dívidas bilionárias com a entidade. Apesar de repasses pontuais recentes, o governo americano condiciona novas verbas a reformas profundas na estrutura internacional.

Segundo analistas em Relações Internacionais, a postura de Washington busca pressionar por uma estrutura menor e menos dispendiosa, enfraquecendo mecanismos multilaterais em favor de negociações diretas ou alianças paralelas.

Reflexos da contenção de gastos no Brasil

No território brasileiro, o ACNUR precisou reduzir 40% de sua equipe e de entidades parceiras. Essa contenção afeta diretamente o suporte prestado aos centenas de migrantes que chegam diariamente ao país em busca de abrigo e proteção internacional.

Apesar do cenário desafiador para o setor de refugiados, os investimentos gerais em programas de desenvolvimento da ONU no Brasil apresentaram crescimento recente. A continuidade de ações locais tem sido viabilizada por parcerias diretas com o governo federal e doações de países europeus destinados à preservação ambiental e combate à pobreza.

FONTE/CRÉDITOS: G1