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Pesquisadores brasileiros integraram um relevante estudo internacional que comprova a eficácia do transplante de fígado em pacientes com inflamações hepáticas severas e falência de múltiplos órgãos, elevando drasticamente as taxas de sobrevida.

O sopro de esperança alcançou pessoas que antes não tinham perspectivas, como Maria do Carmo Pereira da Silva e Moisés de Sousa Carrilho. Casos em que a doença hepática provoca falhas simultâneas em órgãos vitais, a exemplo de rins, coração, pulmões e sistema nervoso central, costumavam ser considerados inaptos para cirurgias.

“Eu fiquei todinha amarela, amarela, com falta de ar. Daí foi triste. Eu não conseguia andar daqui até ali, por falta de ar”, relatou a aposentada Maria do Carmo sobre o avanço rápido da cirrose decorrente de gordura no fígado.

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Aos 53 anos, Moisés enfrentou cenário semelhante provocado pela hepatite C. O risco de morte iminente o levou a aceitar o procedimento arriscado. “Vamos partir para o tudo ou nada?”, relembrou.

O avanço proporcionado pelo estudo Chance

A reviravolta para pacientes em estado gravíssimo ocorreu graças a uma pesquisa global envolvendo 63 centros especializados, com forte atuação do Hospital das Clínicas de São Paulo (HCFMUSP), responsável por dezenas de procedimentos analisados.

Batizado de Chance, o estudo publicado nas principais revistas médicas demonstrou que a intervenção troca o risco iminente de morte por uma sobrevida superior a 80%, regenerando inclusive os demais órgãos que haviam sido afetados.

“Mesmo com falência de dois a três órgãos, esses pacientes têm uma enorme chance. A sobrevida passa de 10% a 20% para 70% a 80%”, destacou Wellington Andraus, professor titular da divisão especializada do HCFMUSP.

Diante dos resultados expressivos, o principal desafio atual da comunidade médica consiste em ampliar a conscientização sobre a doação de órgãos e otimizar os protocolos de atendimento em unidades de terapia intensiva para identificar os casos graves com rapidez.

FONTE/CRÉDITOS: G1