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Durante o atual período eleitoral brasileiro, um levantamento inédito realizado pela plataforma Sentinela identificou graves episódios de violência contra candidaturas LGBT+ nas redes sociais. O monitoramento analisou interações no Instagram e mapeou cerca de 13 mil comentários ofensivos direcionados a perfis específicos. O objetivo do estudo, coordenado pelo Instituto Plena Cidadania (IPC), é diagnosticar e combater a hostilidade sistemática no ambiente político digital.
Para mapear esse cenário, a ferramenta analisou uma amostra de 307.185 comentários com potencial ofensivo, extraídos de um universo superior a 1 milhão de interações. A metodologia, desenvolvida pelo IPC em parceria com o projeto VoteLGBT, utiliza inteligência artificial generativa aliada à curadoria humana para classificar os desvios de conduta de forma precisa e segura.
Padrões de agressão e atuação coordenada
Os dados revelam que o ódio digital não é aleatório. Mais de 11 mil contas distintas foram responsáveis pelas agressões registradas. Além disso, um grupo restrito de 224 perfis altamente engajados concentrou 1.718 comentários ofensivos. Esse comportamento repetitivo evidencia uma provável articulação coordenada para desestabilizar campanhas específicas no ambiente virtual.
Gui Mohallem, diretor executivo do IPC, destaca que a repetição rápida de mensagens idênticas em diferentes contas sinaliza ações automatizadas ou combinadas. Segundo o especialista, o uso de recursos públicos de campanha para financiar crimes virtuais, como a LGBTfobia, precisa ser urgentemente questionado pelas autoridades eleitorais do país.
Filtro rigoroso contra falsos positivos
Para garantir a integridade científica do relatório, a plataforma Sentinela adota critérios conservadores. Casos ambíguos ou que dependam exclusivamente de palavras-chave isoladas são descartados. A análise considera o contexto amplo de cada interação, assegurando que os resultados reflitam apenas hostilidades reais e direcionadas.
Mulheres e negros são os principais alvos
A violência política digital tem alvos bem definidos. O relatório aponta que 92,7% das ofensas foram direcionadas a mulheres LGBT+. Adicionalmente, candidaturas de pessoas negras LGBT+ concentraram 83,6% dos ataques. Essa intersecção de gênero e raça demonstra como as minorias enfrentam barreiras ainda mais severas para exercer a cidadania ativa.
Diante da gravidade dos fatos, o IPC protocolou uma notícia-crime junto à Justiça Eleitoral contra três candidatos que realizaram ataques discriminatórios baseados em identidade de gênero. O instituto também oferece acolhimento psicológico gratuito e sigiloso para as vítimas por meio do canal Cuida Mais, além de planejar a expansão do monitoramento para outros países latino-americanos.
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