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Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior de São Paulo, descobriram recentemente que uma temida praga agrícola pode ser a chave para a degradação de isopor nas cidades. O estudo revela que a lagarta Helicoverpa armigera possui microrganismos capazes de decompor o plástico expandido, oferecendo uma alternativa biológica para um dos maiores gargalos da reciclagem urbana.

O isopor, composto por 98% de ar e apenas 2% de matéria-prima, é amplamente utilizado por sua leveza e isolamento térmico. No entanto, o descarte do material gera graves problemas ambientais. O processo tradicional de reciclagem exige alto investimento em maquinário especializado e mão de obra, gerando um retorno de matéria-prima muito baixo para as indústrias.

A descoberta do potencial da praga ocorreu de forma inesperada em laboratório. O professor Flavio Henrique Silva, do Departamento de Genética e Evolução da UFSCar, observou que as lagartas conseguiam roer e escapar de recipientes plásticos rígidos. Ao analisarem o trato digestivo do animal, os cientistas identificaram fungos específicos com capacidade para digerir o polímero.

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Perspectivas para o futuro da reciclagem

Embora os testes ainda ocorram em escala laboratorial, os resultados são promissores. Segundo o professor Flavio Henrique Silva, o objetivo é ampliar a escala do processo. Mesmo que a decomposição não seja total, a transformação do plástico em moléculas reaproveitáveis já representaria um enorme avanço para a economia circular.

O setor industrial acompanha o avanço científico com otimismo. Carla Castilho, engenheira da Associação Brasileira da Indústria do Plástico, destaca que cooperativas de reciclagem poderiam destinar o isopor de menor valor comercial diretamente para o tratamento com as lagartas, otimizando o fluxo de resíduos que hoje são descartados incorretamente.

FONTE/CRÉDITOS: G1