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O aumento desenfreado do celular na adolescência reconfigurou a rotina dos jovens e transformou as relações familiares no Brasil. Diante da hiperconexão acelerada pela pandemia, pais e especialistas enfrentam o desafio diário de gerenciar o tempo de tela, a pressão das redes sociais e o distanciamento dentro do próprio lar, buscando alternativas para preservar o diálogo e a saúde mental dos adolescentes.

O contraponto do convívio presencial

Crescer em um ambiente totalmente digital tornou a fase de transição para a vida adulta ainda mais complexa. Para amenizar esse cenário, iniciativas como um projeto social em Recife, que atua há 25 anos, propõem o desligamento dos aparelhos durante as atividades para estimular conexões interpessoais. Participantes relatam que a experiência presencial ajuda a vencer a timidez e a construir vínculos reais.

Medo da violência e a rotina diante das telas

Por outro lado, em áreas urbanas marcadas pela insegurança, o dispositivo móvel é enxergado por muitas famílias como um aliado de proteção. Esse é o caso de mães que preferem manter os filhos em casa, mesmo sabendo que eles chegam a passar até sete horas diárias conectados, trocando as interações de rua pelo isolamento nos quartos.

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Ruídos de comunicação dentro de casa

Esse distanciamento interpessoal também serviu de inspiração para um curta-metragem idealizado por estudantes no Rio de Janeiro. A obra retrata a barreira de diálogo entre mães e filhas, gerando forte identificação entre pais que enfrentam dificuldades para se conectar com os jovens imersos em seus próprios ecossistemas digitais.

Até mesmo personalidades públicas vivenciam esse dilema. A atriz Ingrid Guimarães e sua filha Clara revelam que, embora mantenham uma boa relação, enfrentam ruídos geracionais e diferenças de linguagem impostas pela evolução tecnológica cotidiana.

Pressão estética e saúde mental

Nas redes sociais, a busca constante por aceitação atinge níveis críticos, afetando especialmente a autoestima das jovens. A exposição contínua a filtros e padrões inalcançáveis amplia os riscos de distúrbios de imagem e depressão.

Segundo a educadora e psicanalista Carolina Delboni, o desejo de aprovação, antes restrito ao ambiente escolar, agora ganha dimensões infinitas na internet. Diante disso, especialistas reforçam que o acolhimento afetuoso e a escuta atenta por parte dos adultos continuam sendo os pilares mais eficazes para apoiar a juventude.

FONTE/CRÉDITOS: G1