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Um levantamento inédito sobre as UTIs brasileiras escancara um abismo na percepção de qualidade entre os serviços de saúde públicos e privados. As notas positivas na rede particular chegam a ser o dobro das registradas no SUS, enquanto as avaliações negativas na saúde pública superam em até quatro vezes as da iniciativa privada.

O estudo foi conduzido no âmbito do Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras. A iniciativa é da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), com o suporte do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Os especialistas preencheram formulários atribuindo notas de zero a cinco para quesitos fundamentais. Entre os pontos analisados estão a infraestrutura física, a oferta de remédios, a disponibilidade de leitos e o suporte de equipes especializadas.

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A Amib enfatizou que os dados consolidados mapeiam os gargalos do setor sob a ótica de quem lida diretamente com enfermos críticos. Para a entidade, o cenário demanda políticas públicas focadas na melhoria ampla da estrutura, indo muito além da simples abertura de novas vagas.

O diagnóstico completo será apresentado a gestores públicos e privados, além de órgãos de controle. O objetivo é mobilizar autoridades para que adotem as diretrizes apontadas no relatório e qualifiquem o atendimento em todo o país.

Atualmente, as diretrizes da pesquisa possuem potencial de impacto direto sobre 43.901 leitos ativos no território nacional. Desse total, 34.927 são voltados para adultos e 8.974 atendem a demandas pediátricas e neonatais.

Diferenças nos números

Apenas 22,7% dos médicos avaliam que a rede pública possui estoque adequado de remédios cruciais. Na esfera privada, o índice de aprovação salta para 57,7% entre os profissionais ouvidos.

No quesito suficiência de leitos, o SUS obteve nota máxima de 24,1% dos participantes. Em contrapartida, as unidades particulares alcançaram 51,4% de avaliações favoráveis nesse mesmo quesito.

Avaliações negativas

As notas mais baixas evidenciam a criticidade do sistema público. Cerca de 32,6% dos médicos consideram a oferta de vagas no SUS insatisfatória, enquanto na rede privada esse índice despenca para 7,7%.

A disparidade apareceu em quase todos os 12 indicadores analisados. A única convergência expressiva entre os setores público e privado ocorreu no volume de demandas administrativas e burocráticas enfrentadas pelas equipes.

FONTE/CRÉDITOS: Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil