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Completando um ano em outubro, a Operação Contenção mobilizou mais de 2,5 mil policiais civis e militares nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. A incursão, considerada a mais letal da história da segurança pública estadual, terminou com um saldo oficial de 122 mortes, incluindo cinco agentes das forças de segurança, gerando intensas controvérsias e investigações em andamento.

A ofensiva começou na madrugada de 28 de outubro de 2025. O objetivo declarado pelo governo do estado era desarticular a estrutura logística e financeira da facção criminosa Comando Vermelho. Contudo, o resultado foi um dia inteiro de confrontos intensos, bloqueios e intensa repercussão internacional após imagens de corpos alinhados na Vila Cruzeiro.

Apurações e câmeras corporais

Atualmente, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Federal conduzem investigações para esclarecer as circunstâncias das mortes. O MPRJ já colheu dezenas de depoimentos de moradores, parentes e policiais. A análise de cerca de 4 mil horas de gravações de câmeras corporais revelou falhas técnicas, com equipamentos descarregados ou desligados intencionalmente em parte da ação.

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Além disso, o relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) apontou graves problemas estruturais. O documento destacou relatos de tortura, execuções sumárias e falhas na atuação forense, além de uma desproporção evidente entre o número de baixas civis e policiais durante os confrontos nas comunidades.

Impacto social e avaliação de especialistas

Especialistas em segurança pública avaliam que a operação não trouxe mudanças estruturais no controle territorial. Pesquisadoras de instituições como o Instituto Fogo Cruzado e o Geni/UFF afirmam que o domínio das facções permaneceu inalterado, deixando um rastro de traumas profundos na população local, que lida diariamente com as consequências da violência urbana.

FONTE/CRÉDITOS: Vitor Abdala e Cláudia Bojunga - Repórteres da Agência Brasil e da TV Brasil