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Na reta final para o primeiro turno das Eleições 2026, que ocorre neste domingo (4), as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) traçam estratégias opostas em São Paulo e no resto do país para mobilizar o eleitorado e garantir votos decisivos nas urnas.

O comitê petista foca em combater o absenteísmo. Na última sexta-feira (2), em São Paulo, o coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, admitiu preocupação com o tema. Segundo ele, o PT intensificou ações nas redes sociais para incentivar o comparecimento, classificando a abstenção como um reflexo global de descrença na democracia.

O próprio presidente Lula fez um apelo direto aos cidadãos com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo. Durante ato no Rio de Janeiro, o petista convocou esse público a votar, destacando a importância de manter a motivação democrática para o futuro das novas gerações.

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Para reforçar essa mobilização, a campanha lançou a plataforma digital "Geração Lula". O site oferece cartilhas educativas direcionadas ao eleitorado idoso. Historicamente, esse grupo apresenta altos índices de ausência. Em 2022, a abstenção geral atingiu 20,95% dos eleitores, o equivalente a 32,7 milhões de pessoas.

Em 2026, o contingente de eleitores acima de 70 anos ultrapassa 17 milhões de pessoas, representando mais de 10% do eleitorado apto. Esse segmento registrou um crescimento de 15,75% em comparação com o pleito anterior, tornando-se um alvo estratégico para a esquerda.

Vantagem estratégica entre os mais velhos

A investida de Lula se apoia nos números do Datafolha divulgados na sexta-feira (2). O atual presidente lidera com 49% das intenções de voto entre eleitores de 60 anos ou mais, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Lula também lidera entre os mais pobres, menos instruídos e na região Nordeste.

Por outro lado, Flávio Bolsonaro tem melhor desempenho entre os evangélicos, no Sul do país e nas faixas de renda mais elevadas. A pesquisa também monitora o comportamento de jovens de 16 e 17 anos, grupo que encolheu para 1,6 milhão de eleitores nesta eleição.

Flávio Bolsonaro foca no voto útil

Diferente do adversário, a campanha de Flávio Bolsonaro descarta preocupações com a abstenção. Os estrategistas do PL apostam na consolidação do voto útil na reta final. A expectativa é atrair eleitores de outros candidatos de direita, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, estimulando o comparecimento espontâneo às urnas.

A equipe do PL avalia que decisões recentes do Judiciário aumentaram a indignação de eleitores independentes, o que pode impulsionar a candidatura de Flávio. O debate da TV Globo, cancelado após restrições impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à emissora, foi classificado pelo candidato como um ato de censura.

Após se retirar do debate, Flávio realizou uma transmissão online onde associou o resultado eleitoral às futuras indicações para o Supremo Tribunal Federal (STF). Para seus aliados, a perspectiva de Lula indicar novos ministros ao STF serve como um forte elemento de engajamento para os indecisos.

Na penúltima pesquisa Datafolha antes do pleito, Lula registrava 45% dos votos válidos, enquanto Flávio somava 40%. Entre os eleitores neutros, que rejeitam tanto o petismo quanto o bolsonarismo, o cenário aponta equilíbrio técnico, com 24% para Lula e 25% para o candidato do PL.

FONTE/CRÉDITOS: G1