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A baixa vacinação infantil contra a covid-19 no Brasil levou a apenas 5% do público coberto com o esquema de três doses, segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI). A hesitação vacinal, impulsionada por fake news, mantém o risco de hospitalizações e mortes em crianças e adolescentes em todo o país.

O diretor do PNI, Eder Gatti, garantiu que o governo federal possui estoque e contratos vigentes para a distribuição contínua dos imunizantes. De acordo com o gestor, o índice alarmante decorre dos frequentes ataques promovidos contra a imunização nos últimos anos, incluindo declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Incorporada ao calendário básico em 2024 para bebês de 6, 7 e 9 meses, a vacina pode ser aplicada até os 5 anos. No entanto, muitas famílias deixam de proteger seus filhos por acreditarem em alegações falsas espalhadas durante e após a pandemia.

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Como consequência dessa hesitação, mais de 1,1 mil crianças e adolescentes menores de 14 anos foram internados com quadros respiratórios graves pela doença neste ano. Das 25 mortes confirmadas na faixa infantil em 2026, 15 ocorreram em bebês com menos de 2 anos.

Gatti ressaltou que o discurso antivacina gera também o desperdício de doses. Como o produto infantil é armazenado congelado, possui validade de apenas dez semanas após o descongelamento nas unidades de saúde, sendo descartado caso a população não compareça.

Vacinas monitoradas e segurança comprovada

Embora a imunização infantil contra a covid-19 tenha iniciado em janeiro de 2022 após liberação da Anvisa, enfrentou forte resistência institucional na época. Dados da Universidade de São Paulo (USP) comprovam que a aplicação do imunizante reduziu em 97% os casos graves em crianças.

Entre 2020 e 2022, a covid-19 vitimou 1.067 crianças de até 11 anos no Brasil. Além disso, a doença pode desencadear a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, que provocou 142 mortes infantis no país até 2023.

Pesquisa do IBGE revelou que 15% dos jovens de 5 a 17 anos não se vacinaram na emergência sanitária. Cerca de 40% dos responsáveis citaram medo de reações adversas, embora o PNI reforce que o produto passou por todos os testes rigorosos de segurança.

Com mais de 6 milhões de doses aplicadas em crianças no país, não houve óbitos associados e 92% das reações registradas foram leves. Especialistas enfatizam que complicações como miocardite são significativamente mais frequentes pela infecção do coronavírus do que pelo imunizante.

Aumento orçamentário e avanços no PNI

O orçamento do PNI foi ampliado de R$ 5 bilhões para quase R$ 10 bilhões. Apesar dos desafios na vacinação contra a covid-19, outras sete vacinas do calendário infantil já voltaram a superar 90% de cobertura vacinal graças ao planejamento e regularização de estoques.

O Ministério da Saúde também celebra avanços recentes, como a redução superior a 50% nos casos de bronquiolite em bebês após a inclusão da vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes. Outras novidades incluem a ampliação da vacina da dengue e a atualização para a VPC20 contra pneumococo.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil